Cónego Carlos da Silva: em jeito de memória…

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Recordar é trazer de novo ao coração. E quando recordamos pessoas ou factos que nos marcaram positivamente, a alma volta a brilhar.
Vem isto a propósito da passagem do 10º aniversário de falecimento do Dr Carlos Silva, era assim que habitualmente era tratado, ou simplesmente por Dr Carlos, entre colegas e alunos.
O Cónego Carlos da Silva (1928-2009), sacerdote, músico, natural de Minde, diocese de Leiria e distrito de Santarém, passou grande parte da sua vida em Leiria, dedicado sobretudo ao ensino no seminário diocesano, onde residia, e à formação e direcção coral na catedral. Foi nesta que o conheci. Pequeno na estatura, mas vibrante na voz, intenso no olhar e rigoroso quanto baste, chegava até a intimidar. Mas quem o conhecia de perto, descobria nele uma sensibilidade de artista, uma fé que chegava às lágrimas (lembro-me bem das Celebrações da Paixão do Senhor na Sé), um homem prendado de virtudes humanas e cristãs.
Talvez ainda não tivesse dez anos quando, acompanhando a minha avó paterna à missa das 12h, ganhei coragem para me aproximar do coro e, aos poucos, ganhei assento no banco da frente. Nasceu aí uma amizade que cresceu quando fui para o seminário e onde fui seu aluno e formando e, mais ainda, quando me tornei seu colega no Presbitério diocesano. Guardo com gratidão momentos, conversas, conselhos.
Os últimos anos foram marcados pela doença e sofrimento. Era difícil para nós vê-lo numa cadeira de rodas e com dificuldade no falar, alguém que amava cantar e dirigir. A sua partida, ainda que esperada, deixou-nos a todos com uma grande saudade. Fica-nos a sua notável obra de música litúrgica, a memória de um padre íntegro e a certeza de que as sementes que lançou em vários campos já começaram a dar fruto.

Pe. Pedro Viva



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